Estou na estrada, da janela posso ver tudo. Irônico, todos queremos sentar à janela quando viajamos. Dizem que as janelas são os olhos do mundo, eu considero muito justo. Janelas são necessárias... Sentes calor? Abra uma janela. Está escuro? Abra uma janela. Te sentes sufocado? Abra uma janela. Percebes como só citei coisas vitais? Temperatura, ar, LUZ.
Agora pare por alguns instantes e olhe para a tua janela, a janela da tua alma, do teu eu. Como ela é?
A minha, é rústica por fora, dá a ilusão de seriedade, claustro. Porém seus vidros, vulneráveis, se arranham a mínimas agressões externas e o polimento depois não será fácil de ser feito. Eu os vislumbro como se tivessem um tipo de insufilme, vejo bem aqui de dentro, mas sempre com alguma limitação. Quem está fora quase não pode ver, mas se chegares perto o suficiente, juntares as mãos ao rosto e ficares atento, será claro como o dia. Ela é grande também, e isso é muito importante... para que eu nunca permita que fique tão escuro, ao ponto que eu não seja capaz de enxergar onde me limito. Estou contente, aqui vejo ela singela e aconchegante.
Daqui também, posso ver várias outras janelas. Algumas grandes, outras pequenas. Algumas claras e exuberantes, outras tímidas escondidas eu seu breu. Algumas delas passam a sensação de conforto, refúgio. Outras de prisão. Vejo janelas parecidas, janelas iguais... vejo as que tentam ser iguais. Vejo janelas mudando. Minha janela, hoje, tem rachaduras e lascas. As mesmas desde que a construi, a vejo cheia de imperfeições. Mas eu venho trazendo pincel e tinta, trago massa e o que mais tiver a meu alcance... e incansavelmente estou a restaurá-la. Tenho farpas e calos em meus dedos, mas tentarei até o fim.
Por fim, estás contente com a tua janela? Pense nisso, abra tuas cortinas, deixe a luz entrar pra que enxergues bem o que há dentro de ti. Limpe e restaure, sinta-se satisfeito. E não mais julgue a janela que contém os mesmos acabamentos pendentes que a tua.

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