Estou na estrada, da janela posso ver tudo. Irônico, todos queremos sentar à janela quando viajamos. Dizem que as janelas são os olhos do mundo, eu considero muito justo. Janelas são necessárias... Sentes calor? Abra uma janela. Está escuro? Abra uma janela. Te sentes sufocado? Abra uma janela. Percebes como só citei coisas vitais? Temperatura, ar, LUZ.
Agora pare por alguns instantes e olhe para a tua janela, a janela da tua alma, do teu eu. Como ela é?
A minha, é rústica por fora, dá a ilusão de seriedade, claustro. Porém seus vidros, vulneráveis, se arranham a mínimas agressões externas e o polimento depois não será fácil de ser feito. Eu os vislumbro como se tivessem um tipo de insufilme, vejo bem aqui de dentro, mas sempre com alguma limitação. Quem está fora quase não pode ver, mas se chegares perto o suficiente, juntares as mãos ao rosto e ficares atento, será claro como o dia. Ela é grande também, e isso é muito importante... para que eu nunca permita que fique tão escuro, ao ponto que eu não seja capaz de enxergar onde me limito. Estou contente, aqui vejo ela singela e aconchegante.
Daqui também, posso ver várias outras janelas. Algumas grandes, outras pequenas. Algumas claras e exuberantes, outras tímidas escondidas eu seu breu. Algumas delas passam a sensação de conforto, refúgio. Outras de prisão. Vejo janelas parecidas, janelas iguais... vejo as que tentam ser iguais. Vejo janelas mudando. Minha janela, hoje, tem rachaduras e lascas. As mesmas desde que a construi, a vejo cheia de imperfeições. Mas eu venho trazendo pincel e tinta, trago massa e o que mais tiver a meu alcance... e incansavelmente estou a restaurá-la. Tenho farpas e calos em meus dedos, mas tentarei até o fim.
Por fim, estás contente com a tua janela? Pense nisso, abra tuas cortinas, deixe a luz entrar pra que enxergues bem o que há dentro de ti. Limpe e restaure, sinta-se satisfeito. E não mais julgue a janela que contém os mesmos acabamentos pendentes que a tua.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
...vá e as encontre, são suas vidas.
Hoje me surgiram pensamentos um tanto quanto bizarros, mas que eu considerei de muito sentido. “- E se eu sumisse?” Se desse um tempo, tempo suficiente para sentir falta de quem se gosta... Quem me procuraria? Que se sentiria desconfortável – sabe quando saímos de casa estranhos, onde antes de sair rodamos a casa toda pra descobrir o que incomodava sem nada encontrar, e chagado ao destino, dá-se conta de que havia esquecido aquilo de mais importante àquele dia, era indispensável e tu terias de voltar pra buscar - com a minha ausência?
Tendo assim aumentado a intrigancia da indagação, me perguntei: “- Pra quem seria indispensável hoje?”
Sempre me doei muito às pessoas. Os maiores sorrisos, os mais fortes abraços, as mais sinceras atitudes, as melhores intenções. Pra mim todas são maravilhosas ate que se prove o contrario. Mas a questão e que a reciprocidade acontece, a sinceridade ninguém sabe... Assim como não sei se reconhecem a sinceridade dos meus gestos.
Mesmo assim, acredito muito nelas, ate a pessoa de costumes e idéias mais medíocres um dia irá te surpreender, todos somos interessantes. Acredito ainda, nos mocinhos de novela, que de tão “mocinhos”, são trouxas.
Recentemente ouvi umas palavras, de um doce amigo que agradeço a Deus ter entrado na minha vida, ele dizia que o mal ele pretende vencer com o bem... Parece simples a ouvidos mortais, mas e se todos pensássemos como ele?
Decidi então inverter os papéis, poderia descobrir quais as pessoas que sairiam a minha procura, sabendo por quem eu procuraria.
Devo confessar, me frustrei profundamente buscando respostas pra isso, afinal, descobri que eram muito poucos pelos quais eu quebraria minha rotina, enfrentaria terras e mares, sol e chuva... Temos que ser MUITO para sermos indispensáveis. Entretanto, descobri também que esse “muito” e imensuravelmente grande, que procuraria incansavelmente ate que se esgotassem toda força e toda esperança, porque essas pessoas seriam a base da minha pessoa, afinal ninguém vive sozinho e isso tem provas cientificas. Estas são a minha vida toda, construída tijolo por tijolo, lição por lição, VIDAS POR VIDA. E estas estão comigo, nem que nas lembranças, elas não sumiram.
Assim, se poucas pelas quais buscasse, sentissem essa mesma força de sentimento por mim, estaria segura e seria encontrada onde quer que fosse. E prefiro pensar que sim, que de longe ou de perto, pessoas de hoje ou de ontem, laços que construí, e que a partir daí pra ambos, nos tornamos INDISPENSÁVEIS.
Tendo assim aumentado a intrigancia da indagação, me perguntei: “- Pra quem seria indispensável hoje?”
Sempre me doei muito às pessoas. Os maiores sorrisos, os mais fortes abraços, as mais sinceras atitudes, as melhores intenções. Pra mim todas são maravilhosas ate que se prove o contrario. Mas a questão e que a reciprocidade acontece, a sinceridade ninguém sabe... Assim como não sei se reconhecem a sinceridade dos meus gestos.
Mesmo assim, acredito muito nelas, ate a pessoa de costumes e idéias mais medíocres um dia irá te surpreender, todos somos interessantes. Acredito ainda, nos mocinhos de novela, que de tão “mocinhos”, são trouxas.
Recentemente ouvi umas palavras, de um doce amigo que agradeço a Deus ter entrado na minha vida, ele dizia que o mal ele pretende vencer com o bem... Parece simples a ouvidos mortais, mas e se todos pensássemos como ele?
Decidi então inverter os papéis, poderia descobrir quais as pessoas que sairiam a minha procura, sabendo por quem eu procuraria.
Devo confessar, me frustrei profundamente buscando respostas pra isso, afinal, descobri que eram muito poucos pelos quais eu quebraria minha rotina, enfrentaria terras e mares, sol e chuva... Temos que ser MUITO para sermos indispensáveis. Entretanto, descobri também que esse “muito” e imensuravelmente grande, que procuraria incansavelmente ate que se esgotassem toda força e toda esperança, porque essas pessoas seriam a base da minha pessoa, afinal ninguém vive sozinho e isso tem provas cientificas. Estas são a minha vida toda, construída tijolo por tijolo, lição por lição, VIDAS POR VIDA. E estas estão comigo, nem que nas lembranças, elas não sumiram.
Assim, se poucas pelas quais buscasse, sentissem essa mesma força de sentimento por mim, estaria segura e seria encontrada onde quer que fosse. E prefiro pensar que sim, que de longe ou de perto, pessoas de hoje ou de ontem, laços que construí, e que a partir daí pra ambos, nos tornamos INDISPENSÁVEIS.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
DOR
É simples dominar, ou julgar a dor que não se sente. Todas as mentes dizem que não deves te submeter à dor. Dizem não valer a pena a tortura. Dizem que tens de ser forte.
Mas o coração, em resposta, diz já fazer força demais pra suportá-la.
A dor é como uma visita, ela bate à tua porta e te convida a jogar cartas. Um jogo ao qual, desconheces.
No início, a dor, já veterana, conhecendo a sua fraqueza e instabilidade diante daquela prova, vem com suas melhores cartas. Traz nas mãos a saudade, a carência e a carta coringa, a qual nenhuma outra se iguala. A lembrança.
Com os olhos ardentes em vitória e sedenta de sofrimento, te amedronta e te diz tudo o que o profundo do teu coração mais deseja, tudo no que ele encontra forças pra pulsar é impossível. Que talvez nunca mais sintas a essência tão esplêndida do amor. Ela sussurra aos teus ouvidos o que de maior existe pra estraçalhar tuas esperanças. E, te deixando em trapos, irá embora.
Não tardar ela voltará, mas a maré da vida trará as tuas mãos cartas do apoio, do júbilo e do otimismo, podendo pela sorte desta vez a vislumbrar partindo sem tanto sofrer. A maioria dos jogos seriam dolorosos daqui por diante. Mas a proposta é atrativa demais pra se recusar, é pelo que o teu coraçao MAIS DESEJA que jogam, e acaba virando uma obsessão.
Porém, como todo jogo, se aprendem as táticas. É chegado o momento em que ela virá sua afeição cansada daquele mesmo jogo de sempre, poderá perceber também seu coração anestesiado, que se entristece, mas já não padece. Então, uma vez jogando ao mesmo nível, essa visita já não lhe parece mais tão desagradável. Ela perceberá seu escudo, perceberá que tu já sabes o que esperar, e que já aprendeu o que precisava sobre o jogo. Então, com satisfação, lhe revelará suas táticas e mostrará suas melhores cartas. Ela trará em mãos, apenas as lembranças.
Tudo terá o seu tempo certo. A perda, assim como o luto, tem cinco fases: recusa, raiva, barganha, depressão e aceitação. A primeira, será aquela que você não admitirá o jogo por apenas perder, não aceitará tamanha dor, se refugiará na esperança. Então a ira tomará conta de ti, e tentaras expulsar de qualquer forma aquela visita, sem êxito. A próxima fase será a do escudo, tentará a resistência de todas as formas, teu orgulho te mostrará forte onde não existe força alguma. Depois das primeiras três fases, essas visitas tem sua fase mais difícil, é a fase da desistência, onde te entregas, acreditas não adiantar mais resistir, e acaba por sofrer mais. Só a partir disso, ela será, não bem vinda, mas talvez ‘aceitável’, pois é nessa fase que vocês apenas compartilharão os coringas das cartas, pra relembrarem o tempo em que não precisavam jogar.
Mas o coração, em resposta, diz já fazer força demais pra suportá-la.
A dor é como uma visita, ela bate à tua porta e te convida a jogar cartas. Um jogo ao qual, desconheces.
No início, a dor, já veterana, conhecendo a sua fraqueza e instabilidade diante daquela prova, vem com suas melhores cartas. Traz nas mãos a saudade, a carência e a carta coringa, a qual nenhuma outra se iguala. A lembrança.
Com os olhos ardentes em vitória e sedenta de sofrimento, te amedronta e te diz tudo o que o profundo do teu coração mais deseja, tudo no que ele encontra forças pra pulsar é impossível. Que talvez nunca mais sintas a essência tão esplêndida do amor. Ela sussurra aos teus ouvidos o que de maior existe pra estraçalhar tuas esperanças. E, te deixando em trapos, irá embora.
Não tardar ela voltará, mas a maré da vida trará as tuas mãos cartas do apoio, do júbilo e do otimismo, podendo pela sorte desta vez a vislumbrar partindo sem tanto sofrer. A maioria dos jogos seriam dolorosos daqui por diante. Mas a proposta é atrativa demais pra se recusar, é pelo que o teu coraçao MAIS DESEJA que jogam, e acaba virando uma obsessão.
Porém, como todo jogo, se aprendem as táticas. É chegado o momento em que ela virá sua afeição cansada daquele mesmo jogo de sempre, poderá perceber também seu coração anestesiado, que se entristece, mas já não padece. Então, uma vez jogando ao mesmo nível, essa visita já não lhe parece mais tão desagradável. Ela perceberá seu escudo, perceberá que tu já sabes o que esperar, e que já aprendeu o que precisava sobre o jogo. Então, com satisfação, lhe revelará suas táticas e mostrará suas melhores cartas. Ela trará em mãos, apenas as lembranças.
Tudo terá o seu tempo certo. A perda, assim como o luto, tem cinco fases: recusa, raiva, barganha, depressão e aceitação. A primeira, será aquela que você não admitirá o jogo por apenas perder, não aceitará tamanha dor, se refugiará na esperança. Então a ira tomará conta de ti, e tentaras expulsar de qualquer forma aquela visita, sem êxito. A próxima fase será a do escudo, tentará a resistência de todas as formas, teu orgulho te mostrará forte onde não existe força alguma. Depois das primeiras três fases, essas visitas tem sua fase mais difícil, é a fase da desistência, onde te entregas, acreditas não adiantar mais resistir, e acaba por sofrer mais. Só a partir disso, ela será, não bem vinda, mas talvez ‘aceitável’, pois é nessa fase que vocês apenas compartilharão os coringas das cartas, pra relembrarem o tempo em que não precisavam jogar.
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